sexta-feira, 9 de março de 2007

Francisco Cândido Xavier/Renúncia


Minha opinião

Este livro retrata a vida de uma jovem, uma vida paltada pela RENÚNCIA, não a RENÚNCIA de algumas coisas por outras, mas a RENÚNCIA total de sua felicidade e seu bem-estar pela felicidade e bem-estar de alguém. Sendo um romance espírita, esta história nos é contada como um exemplo a ser ao menos minimamente seguido, raríssimas são as pessoas que se doam de tal forma. Não é fácil, na verdade para mim seria impossível seguir um exemplo como este que é retratado. A personagem no entanto parece encontrar nesta doação total ao próximo, sua “felicidade”, não neste plano, mas em outro, a tão esperada recompensa para aqueles que se dedicam com tal desprendimento. É um exemplo que você seguiria ou esta seguindo? Leia o livro, reflita e tire suas conclusões. Viaje você também neste livro...

Sobre o autor

O maior e mais prolífico médium psicógrafo do mundo, Francisco Cândido Xavier nasceu em Pedro Leopoldo, modesta cidade de Minas Gerais, Brasil, em 2 de abril de 1910. Viveu, desde 1959, em Uberaba, no mesmo Estado, desencarnando no dia 30 de junho de 2002, dia em que o Brasil sagrou-se pentacampeão mundial de futebol. Seu desenlace ocorreu pacificamente, no próprio lar, onde foi encontrado sereno, ainda em atitude de prece a Deus. Conforme revelara a amigos mais íntimos, tinha o desejo de partir num dia em que o "povo brasileiro estivesse muito feliz". Completou o curso primário, apenas. Pais: João Cândido Xavier e Maria João de Deus, desencarnados em 1960 e 1915, respectivamente. Infância difícil; foi caixeiro de armazém e modesto funcionário público, aposentado desde 1958. Em 8 de julho de 1927 participa de sua primeira reunião espírita. Até 1931 recebe muitas poesias e mensagens, várias das quais saíram a público, estampadas, à revelia do médium, em jornais e revistas, como de autoria de F. Xavier. Nesse mesmo ano, vê, pela primeira vez, o Espírito Emmanuel, seu inseparável mentor espiritual até hoje.

Para acessar a fonte clique aqui

Sobre o livro

Velhas recordações Quem poderá deter as velhas recordações que iluminam os caminhos da eternidade? Lembramo-nos de Alcione, desde os dias de sua infância. Muitas vezes a vi, com o Padre Damião, num velho adro de Espanha, passeando ao pôr do Sol. Não raro, levantava o semblante infantil para o céu e perguntava, atenciosa: Padre Damiano, quem terá feito as nuvens, que parecem flores grandes e pesadas, que nunca chegam a cair no chão? Deus - minha filha - dizia o sacerdote. Mas, como se no coração pequenino não devesse existir esquecimento das coisas simples e humildes, voltava ela a interrogar: E as pedras? - quem teria criado as pedras que seguram o chão? Foi Deus também. Então, após meditar de olho mergulhados no grande crepúsculo, a pequenina exclamava: Ah! como Deus é bom ! Ninguém ficou esquecido!E era de ver-se sua bondade singular, o interesse pelo dever cumprido, dedicação à verdade e ao bem. Cedo compreendi que a família afetuosa de Ávila se constituía de amizades vigorosas, cujas origens se perdiam no tempo. Os anos - minutos do relógio da eternidade - correram sempre movimentados e cheios de amor. A criança de outros tempos tornar-se-á benfeitora cheia de sabedoria. Sua vida não representava um feixe de atos comuns, mas um testemunho permanente de sacrifícios santificantes. Desde a primeira juventude, Alcione transformar-se-á em centro de afeições, em fonte de luz viva, onde se podiam vislumbrar as claridades augustas do Céu. Sua conduta, na alegria e na dor, na facilidade e no obstáculo, era um ensinamento generoso, em todas as circunstâncias.Creio mesmo que ela nunca satisfez a um desejo próprio, mas nunca foi encontrada em desatenção aos designos de Deus. Jamais a vi preocupada com a felicidade pessoal; entretanto, interessava-se com ardor pela paz e pelo bem de todos. Demonstrava cuidado singular em subtrair, aos olhos alheios, seus gestos de perfeição espiritual, porém queria sempre revelar as idéias nobres de quantos a rodeavam, a fim de os ver amados, otimistas, felizes. Minhas experiências rolaram devagarzinho para os arcanos do Tempo, a morte do corpo arrastou-me a novos caminhos e, no entanto, jamais pude esquecer a meiga figura de anjo, em trânsito pela Terra. Mais tarde, pude beijar-lhe os pés e compreender-lhe a história divina. O resultado desse conhecimento vibra esforço singelo, que não tem pretensões a obra literária. Este é um livro de sentimentos, para quem aprecia a experiência humana através do coração. Em particular, falará a todos os que se encontram encarcerados, sentenciados, esquecidos daquele amor que cobre a multidão dos pecados, consoante os ensinamentos de Jesus. A maioria dos aprendizes do Evangelho deixa-se tomar, em sentido absoluto, pelas idéias de resgate escabroso, de olho por olho, ou, então, pela preocupação de recompensa na Terra ou no Céu. Aqui, comenta-se reencarnações criminosas; ali, espera-se tão só prantos amargos; além, existem corações anelantes de remansado e ocioso poliu. A esperança e a responsabilidade se não possam negar o caráter incorruptível da Justiça, porém, não se deverá esquecer o otimismo, a confiânça, a dedicação e todas as energias que o amor procura despertar no âmago das consciências. Para as almas sinceras, que ainda solucem nos laços do desânimo e desalento, a história de Alcione é um bálsamo reconfortante. Naturalmente que ela própria, qual amorosa visão da Espiritualidade eterna, emergirá das páginas luminosas da sua experiência, perguntando ao leitor que se sinta oprimido e exausto: Por que reténs a noção dos castigos implacáveis, quando Nosso Pai nos oferece o manancial inexaurível do seu amor? Por que atribuis tamanha importância ao sofrimento? Levanta-te! Esqueceste Jesus? Já que o Mestre padeceu por todos, sem culpa, onde estás que não sentes prazer em trabalhar, de qualquer forma, por amor ao seu nome? A psicologia de Alcione é bem mais complexa do que se possa imaginar ao primeiro exame. Na grandeza da sua dedicação, vemos o amor renunciando à glória da luz, a fim de se mergulhar no mundo da morte. Com seu gesto divino, a Terra não é apenas um lugar de expiação destinado a exílio amargurou, mas também, uma escola sublime, digna de ser visitada pelos gênios celestes. Dentro dos horizontes do Planeta, ainda vigem as sombras, a ,oferte, a lágrima... Isso é incontestável. Mas, quem seguir nas estradas que Alcione trilhou, converterão todo esse patrimônio em tesouros opens para a vida imortal. Aqui, pois, oferecemos-te, leitor amigo, tão velhas recordações. Crê, no entanto, que, por velhas, não são menos preciosas. São heranças sagradas do escrínio do coração, jóias de subido valor que espalharemos a esmo, recordando que, se muita gente presume haver alcançado os êxitos retumbantes e a felicidade ilusória no campo vasto do mundo, em verdade ainda não aprendeu nem mesmo a estabelecer a vitória da paz, na experiência sagrada que se verifica entre as paredes de um lar.
Emmanuel(Pedro Leopoldo, 11 de janeiro de 1942)

Para acessar a fonte clique aqui

5 comentários:

Cris Soares disse...

Há alguns anos tive o prazer de ler este livro e ainda hoje tenho em minha lembrança.
Maravilhoso Romance Espírita que a cada página faz a gente se envolver mais e mais, sem vontade de parar de ler. Fortes sentimentos nos mostram o quanto valioso é a vida e as renúncias de uma alma iluminada como a de Alcione. Não há como controlar as lágrimas que correm dos nossos olhos. Um livro que merece esse lindo destaque. Obrigada, Fabian, pela linda postagem... o blog está muito lindo.
Bjos

Cris

Anônimo disse...

Interessante foi reler este livro 20 anos após tê-lo lido em minha aurea juventude. Ele estava guardado numa velha caixa no armário todo empoeirado com os sinais do tempo, assim como a minha alma na mesma situação. Mas agora depois de reler sinto novos estímulos para compreender melhor a linda lição de eternidade das almas....e que sempre é tempo de renovar nossos ânimos e atitudes diante de um tempo onde Jesus clama por nosso despertar.

Anônimo disse...

Sensacional! O escola literária - romantismo - não podia ser melhor adequada para narrar sensações e emoções, mormente durante os diálogos em que Alcíone participava. Sutilmente eram passados conceitos importantíssimos a nosso crescimento espiritual, sem, no entanto, cair no teorismo e superficialismo. Longe disso, tais preceitos eram inteligentemente corroborados com os "exemplos concretos" da narrativa.
Enfim, tal leitura teve o condão de me transformar ao me encaminhar para uma resignação racional e não a um conformismo dogmático. Ouso lembrar um diálogo em que a filha de Susana soube muito bem distinguir entre o SER e o TER atuais, quando ela dizia mais ou menos assim: "...a base da felicidade está no dever cumprindo e não na satisfação dos desejos".
A leitura exige uma certa erudição, em função de alguns termos, mas nada que um bom dicionário não resolva.
Glauco - 07/01/09

Anônimo disse...

No comentário de 07/01/09,Onde se lê "SUZANA", leia-se "MADALENA".
Penitencio-me.
Glauco 11/01/09

Anônimo disse...

Almas de elevada envergadura - muito mais do que raras -nao praticam a "renuhncia" de si mesmas com o objetivo de obter recompensas no plano espiritual. Alcione já habitava esfera de ventura, onde seres alados trabalhavam. Essas almas nobres e adiantadas escolheram atuar pela "renuhncia" porque conseguem cumprir os ditames de Deus e da consciência "relegando as rudezas e ingratidoes ao baixo nível ao qual pertencem" (palavras de Alcione dirigidas a Robbie... nao me lembro do nuhmero do capítulo).